Empresas suspeitas de operar esquema de ‘pirâmide’ têm atividades suspensas

Modelo comercial que promete ganho fácil de dinheiro é considerado ilegal; rede TelexFree e grupo BBom, que juntas têm mais de 600 mil revendedores, estão sob investigação

SOROCABA – Empresas que oferecem dinheiro fácil para quem conseguir captar novos clientes estão na mira da Justiça. Elas ganharam destaque nos últimos meses e chamaram a atenção dos órgãos de defesa do consumidor. Recentemente, a rede TelexFree e o grupo BBom tiveram as atividades suspensas por suspeita de atuar em um esquema de pirâmide financeira. Juntas, as duas teriam mais de 600 mil revendedores no País. Outras quatro empresas – Cidiz, Multiclick, Nnex e Priples – estão sob investigação.

A pirâmide financeira é um modelo comercial considerado ilegal porque só é vantajoso quando atrai novos investidores com a promessa de retorno expressivo em pouco tempo. Assim que a captação de “clientes-investidores” torna-se mais difícil, o esquema não tem como cobrir os retornos prometidos e entra em colapso. A TelexFree tem centrais de venda em todos os Estados e o número de revendedores passa de 400 mil no País. Em São Paulo, está em 45 municípios e soma 5 mil vendedores, pessoas que pagaram para fazer parte da rede e agora tentam recuperar o investimento.

As operações da Telexfree foram suspensas em todo o País no dia 18 de junho pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Acre. A Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda pediu ao Ministério Público Federal que investigue a rede.

A empresa se defende alegando que a base do negócio é a venda de um produto, a tecnologia Voip de comunicação – um sistema que permite fazer ligações telefônicas usando a internet, como o Skype. “Não se trata de pirâmide financeira, mas de uma transação comercial. Pagamos bonificação aos divulgadores pela comercialização de um serviço que proporciona economia ao usuário”, disse o diretor de marketing, Carlos Costa.

Segundo ele, a empresa, criada em fevereiro de 2012 e instalada em Vitória (ES), é séria e vem colaborando com as investigações das autoridades. “Não há um único caso no Brasil de alguém que tenha perdido dinheiro com a TelexFree e aguardamos com serenidade a palavra final da Justiça.”

Casos. No interior de São Paulo, o bloqueio das contas e a proibição de novas adesões pela Justiça do Acre causam protestos. “Estamos aguardando a liberação para voltar a trabalhar”, disse o professor Lucas de Oliveira Garcia, divulgador em Campinas. Desde que aderiu à rede, em janeiro, ele diz ter obtido uma renda mensal de R$ 2 mil com a venda do plano Voip e inserção de anúncios na rede virtual. “Recebia direitinho, até a Justiça bloquear.” Em Marília, cerca de 80 divulgadores fizeram uma carreata no último dia 7 com faixas e cartazes contra a decisão da Justiça.

Responsável por uma espécie de filial da empresa em Ribeirão Preto, Júlio César de Oliveira Mafra promete fazer em dez dias a devolução dos pagamentos feitos pelos divulgadores se a Justiça mantiver a proibição. “Eu também não estou recebendo meus pagamentos e bônus, mas não vou culpar quem me deu esta oportunidade”, disse. Ele conheceu a empresa há dez meses e pagou a adesão parcelada no cartão de crédito.

Em Sorocaba, o representante comercial Robson Edi Soares vendeu um carro e aplicou R$ 5,6 mil na TelexFree. Ele chegou a receber R$ 800 no primeiro mês e conseguiu a adesão de dois amigos, mas houve o embargo judicial. “Estou com medo de não conseguir recuperar o dinheiro. O pior é que meus amigos estão me culpando”, disse. O Procon local recebeu queixa de um consumidor que adquiriu um plano Voip da TelexFree por US$ 49,90, mas não funcionou.

Em seu site, a TelexFree ensina como se tornar um divulgador. É preciso fazer um cadastro de usuário e optar por um dos dois planos. Só se cadastram pessoas indicadas. Depois de uma semana postando anúncios na internet, o divulgador terá de vender contas Voip a US$ 49,90 cada, recebendo comissão sobre a venda e ainda 10% sobre o pagamento mensal do cliente. No plano básico, o usuário paga US$ 339 pelo contrato de um ano para dez contas e a empresa promete ganho líquido de US$ 701 (206%). A empresa oferece também ganhos por equipe. O problema é que o usuário se obriga a vender as contas Voip e, se não o fizer, a empresa recompra a conta por apenas US$ 20.

A Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda analisou o negócio e viu duas possíveis irregularidades na relação da TelexFree com os divulgadores: estímulo à economia informal e exigência do exercício de duas atividades – como divulgador e comerciante – para a remuneração de apenas uma.

De acordo com o órgão, a oferta de ganhos altos e rápidos proporcionados principalmente pelo recrutamento de novos entrantes para a rede, o pagamento de comissões excessivas e a não sustentabilidade do modelo sugerem um esquema de pirâmide financeira, que é crime contra a economia popular.

A marca Telexfree americana é administrada no Brasil pela empresa Ympactus Comercial. A empresa está no País desde fevereiro de 2012 e diz ter clientes cadastrados em todos os Estados.

Fonte: Economia&Negócios

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Uma resposta em “Empresas suspeitas de operar esquema de ‘pirâmide’ têm atividades suspensas

  1. É UMA VERGONHA, TODO GANHO DEVE SER FRUTO DE UM TRABALHO, PARABÉNS AO PROCON ESTADUAL, MINISTÉRIO PÚBLICO, EU ENQUANTO JORNALISTA AQUI NO SUL DE MINAS TENHO UM PROGRAMA TELEVISÍVEL DENOMINADO DIREITOS DO CONSUMIDOR, DIVULGO O CDC INCANSAVELMENTE, DEIXO AQUI A DISPOSIÇÃO NOSSO ESPAÇO PARA QUE EM UM CURTO ESPAÇO DE TEMPO POSSAMOS MOSTRAR MAIS O TRABALHO DESTE ORGÃO QUE MUITO ME ADMIRO E QUE UM DIA FIZ PARTE POR LONGOS ANOS DO PROCON DO MEU MUNICÍPIO (PROCON /LAVRAS), SAÍ PORQUE MUDOU A POLÍTICA E QUANDO SE TROCA O PREFEITO, É UMA PENA TORCA-SE TAMBÉM OS FUNCIONÁRIOS DO PROCON, NEM ASSIM DEIXO DE DIVULGAR A LEI FEDERAL 8.078/90 QUE É A BASE DE SUSTENTAÇÃO DAS RELAÇÕES DE CONSUMO, INCLUSIVE PROMESSAS DE GANHO EM CONTRATOS VIRTUAIS CONFORME ESTES EXPLICITADOS, PARABÉNS AO ORGÃO

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